https://doi.org/10.63923/smhs.2026.133
Resumo
As anomalias congênitas constituem importante problema de saúde pública, associadas à idade materna avançada e possivelmente à paterna. Este estudo observacional retrospectivo, com dados do SINASC/DATASUS (Espírito Santo, 2017–2023; n=377.668), avaliou essa associação por meio de análises descritivas, teste do qui-quadrado e regressão logística ajustada, com estimativa de odds ratio e intervalo de confiança de 95%. Observou-se associação independente e dose-dependente entre idade materna e anomalias congênitas, com aumento acentuado do risco a partir dos 35 anos, especialmente para alterações cromossômicas, enquanto a idade paterna não permaneceu significativa após ajuste. Apesar da baixa incidência absoluta, os maiores riscos relativos concentraram-se em idades maternas avançadas, com destaque para síndrome de Down e malformações cardíacas. Esses achados reforçam a idade materna avançada como principal determinante dessas condições, coerente com o acúmulo de alterações meióticas e o envelhecimento dos ovócitos. Em contrapartida, a ausência de associação independente da idade paterna sugere possível efeito de confusão pela idade materna. A inexistência de aumento de risco em idades maternas jovens e a abordagem populacional integrada fortalecem a consistência dos resultados e contribuem para preencher lacuna relevante na literatura nacional. Nesse contexto, destaca-se a importância do aconselhamento e pré-natal direcionado para diagnóstico precoce e redução de riscos.
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Como Citar
Perfil etário parental no Espírito Santo e sua influência na incidência de anomalias congênitas em recém-nascidos. (2026).
SUMMA Medical and Health Sciences,
2, e133.
https://doi.org/10.63923/smhs.2026.133