Ensino e extensão

CASO RARO DE HEMATOMA SUBDURAL ESPINAL ESPONTÂNEO: UM RELATO DE CASO

Rafael Battastini de Oliveira Camila Magnabosco Rodrigo Battastini de Oliveira Fernanda Corrêa Figueiredo Martello

Informações do autor

Rafael Battastini de Oliveira

ORCID não informado.

Informações do autor

Camila Magnabosco

ORCID não informado.

Informações do autor

Rodrigo Battastini de Oliveira

ORCID não informado.

Informações do autor

Fernanda Corrêa Figueiredo Martello

ORCID não informado.
https://doi.org/10.63923/sdes.2025.110

Resumo

Este artigo relata a formação de um hematoma subdural espinal espontâneo, condição rara e considerada emergência neurológica, com objetivo de analisar e descrever um caso de apresentação atípica não traumática. A paciente, mulher de 50 anos atendida em hospital da serra gaúcha, apresentou quadro súbito de cefaleia intensa associada à dor lombar irradiada para o membro inferior esquerdo e parestesia após movimento de inclinar o tronco para levantar-se do sofá. Negava febre, vômitos, cervicalgia, alterações esfincterianas ou déficits motores. O estudo, de metodologia baseada em relato de caso, envolveu anamnese, exame físico, avaliação neurológica e exames complementares. Ao exame, força, sensibilidade e reflexos estavam preservados, sem sinais de compressão medular. A ressonância magnética de coluna dorsal revelou lâminas subdurais com hipersinal em T1 entre T9 e T11, sugestivas de hematoma subdural, além de achados associados de desidratação discal em T5 a T8 e pequena protrusão discal em T5-T6, sem compressão significativa da medula. O ecodoppler de carótidas e vertebrais não mostrou ateromas relevantes nem trombos. Frente à estabilidade clínica e ausência de déficits neurológicos, optou-se por conduta conservadora, com uso de analgésicos e acompanhamento seriado por imagem. O hematoma apresentou sinais de reabsorção progressiva. Os hematomas subdurais espinais, geralmente associados a trauma, uso de anticoagulantes, terapia trombolítica ou coagulopatias, são incomuns na ausência desses fatores de risco, predominando nas regiões torácica e cervicotorácica. A apresentação da paciente reforça a necessidade de considerar esse diagnóstico em quadros de dor lombar aguda com irradiação, mesmo sem trauma ou anticoagulação. A discussão evidencia que, em pacientes sem déficits neurológicos graves, a abordagem conservadora pode ser segura, com evolução favorável, embora a monitorização neurológica e radiológica seja indispensável. Até o momento, a etiologia do hematoma permanece indefinida, e a paciente segue em acompanhamento com neurologia e traumatologia. Este relato contribui para a literatura ao destacar um caso de hematoma subdural espinal espontâneo atípico, ressaltando a importância do diagnóstico precoce, da individualização terapêutica e da vigilância clínica rigorosa em um cenário de baixa frequência e alta gravidade potencial.

Histórico

  • Recebido: 22/10/2025
  • Publicado: 28/11/2025