Rafael Battastini de Oliveira Camila Magnabosco Rodrigo Battastini de Oliveira Fernanda Corrêa Figueiredo Martello
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Este artigo relata a formação de um hematoma subdural espinal espontâneo, condição rara e considerada emergência neurológica, com objetivo de analisar e descrever um caso de apresentação atípica não traumática. A paciente, mulher de 50 anos atendida em hospital da serra gaúcha, apresentou quadro súbito de cefaleia intensa associada à dor lombar irradiada para o membro inferior esquerdo e parestesia após movimento de inclinar o tronco para levantar-se do sofá. Negava febre, vômitos, cervicalgia, alterações esfincterianas ou déficits motores. O estudo, de metodologia baseada em relato de caso, envolveu anamnese, exame físico, avaliação neurológica e exames complementares. Ao exame, força, sensibilidade e reflexos estavam preservados, sem sinais de compressão medular. A ressonância magnética de coluna dorsal revelou lâminas subdurais com hipersinal em T1 entre T9 e T11, sugestivas de hematoma subdural, além de achados associados de desidratação discal em T5 a T8 e pequena protrusão discal em T5-T6, sem compressão significativa da medula. O ecodoppler de carótidas e vertebrais não mostrou ateromas relevantes nem trombos. Frente à estabilidade clínica e ausência de déficits neurológicos, optou-se por conduta conservadora, com uso de analgésicos e acompanhamento seriado por imagem. O hematoma apresentou sinais de reabsorção progressiva. Os hematomas subdurais espinais, geralmente associados a trauma, uso de anticoagulantes, terapia trombolítica ou coagulopatias, são incomuns na ausência desses fatores de risco, predominando nas regiões torácica e cervicotorácica. A apresentação da paciente reforça a necessidade de considerar esse diagnóstico em quadros de dor lombar aguda com irradiação, mesmo sem trauma ou anticoagulação. A discussão evidencia que, em pacientes sem déficits neurológicos graves, a abordagem conservadora pode ser segura, com evolução favorável, embora a monitorização neurológica e radiológica seja indispensável. Até o momento, a etiologia do hematoma permanece indefinida, e a paciente segue em acompanhamento com neurologia e traumatologia. Este relato contribui para a literatura ao destacar um caso de hematoma subdural espinal espontâneo atípico, ressaltando a importância do diagnóstico precoce, da individualização terapêutica e da vigilância clínica rigorosa em um cenário de baixa frequência e alta gravidade potencial.