Pesquisas Originais

Análise do acompanhamento e diagnóstico de gestantes e recém-nascidos com suspeita de infecção por Zika vírus no Espírito Santo, Brasil: acertos e pontos de melhoria para futuras epidemias

Bruno Hilsdorf Letizio Alinda de Araujo Meireles Amanda de Castro Donato Ana Apoloni de Lima Ana Carolina Batista Oliveira Ana Carla Moreira Paiva Lopes Ana Luíza Gomes Plentz Bruno Figueiredo Maia Comunian Camila Miriam Moreira Carolina Barbosa Redig Juliana Fiss Pothin Wrague Maria Adrianne Gonçalves Feitoza Yasmin Dirce Iser

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Juliana Fiss Pothin Wrague

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Maria Adrianne Gonçalves Feitoza

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Yasmin Dirce Iser

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https://doi.org/10.63923/smhs.2026.142

Resumo

A infecção pelo vírus Zika (ZIKV) ganhou notoriedade em 2015 após o aumento expressivo de casos de microcefalia e outras anomalias congênitas em recém-nascidos de gestantes infectadas pelo vírus durante a gravidez, culminando no reconhecimento da Síndrome Congênita associada ao vírus Zika (SCZ). Este estudo descritivo longitudinal teve como objetivo analisar a evolução da vigilância epidemiológica, dos métodos diagnósticos e da classificação dos casos suspeitos de SCZ no estado do Espírito Santo, utilizando dados da base unificada do RESP-Microcefalia/DATASUS entre 2015 e 2024. Foram analisadas a incidência e a evolução temporal dos casos, bem como as associações entre infecção materna, transmissão vertical, manifestações clínicas, métodos diagnósticos e desfechos neonatais, utilizando teste do qui-quadrado, Odds Ratio e regressão logística binomial. Ao todo, 851 casos suspeitos de infecção gestacional foram submetidos à análise, considerando a disponibilidade de informações para cada variável. Observou-se pico de casos investigados em 2016, seguido de redução progressiva das notificações nos anos subsequentes. Recém-nascidos de mães com diagnóstico confirmado para ZIKV apresentaram maior chance de confirmação para SCZ (OR = 5,1; IC95%: 2,28–11,4; p < 0,001), corroborando a ocorrência de transmissão vertical. As manifestações clínicas maternas apresentaram associação significativa com a confirmação da infecção, ao contrário das características clínicas avaliadas nos recém-nascidos. Entre estes, apenas a sorologia IgM e o PCR apresentaram associação significativa com o diagnóstico, embora tenham sido os exames menos utilizados, enquanto os exames de imagem, mais frequentemente empregados, não demonstraram associação significativa com a confirmação dos casos. Além disso, observou-se que os sinais e sintomas maternos apresentaram maior capacidade de discriminação diagnóstica do que as características clínicas avaliadas nos recém-nascidos. Esses achados sugerem limitações na estratégia diagnóstica adotada para recém-nascidos e possível subestimação da incidência da infecção, reforçando a necessidade de fortalecer o acompanhamento pré-natal, ampliar o acesso aos métodos laboratoriais mais informativos, e qualificar a investigação epidemiológica, contribuindo, assim, para respostas mais efetivas em futuras epidemias.

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