Ensino e extensão

Avaliação dos impactos do rastreamento do câncer de próstata: riscos e benefícios.

Gabriella Martins Pimentel Silva

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Gabriella Martins Pimentel Silva

ORCID não informado.
https://doi.org/10.63923/sdes.2025.99

Resumo

O câncer (CA) de próstata, no Brasil, é uma das neoplasias mais incidentes e está entre as principais causas de morbimortalidade entre os homens. Sendo assim, o rastreamento dessa doença é feito por meio do método Antígeno Prostático Específico (PSA), possibilitando o diagnóstico precoce e em alguns casos, reduzindo o risco de morte da doença. Porém, esse rastreamento possui limitações, visto que o procedimento pode causar consequências como incontinência urinária e fecal, urgência miccional e disfunção erétil; além de altas taxas de falsos-positivos e sobrediagnósticos de tumores indolentes, gerando preocupações desnecessárias no paciente. Diante disso, realizou-se uma revisão de literatura com estudos coletados entre os anos de 2020 e 2025 nas plataformas: PubMed e Scielo, utilizando os descritores de ciências da saúde (DeCS): “Câncer de Próstata”, “Programas de Rastreamento”, “Sobrediagnósticos” e “Oncologia", excluindo resumos e mini-revisões. O rastreamento de CA de próstata é classificado como categoria “C”, segundo a recomendação em rastreamento, indicando que o procedimento só é feito de acordo com a oferta individual de cada paciente, pois a evidência dos benefícios é pequena. Nesse sentido, homens entre 45 e 75 anos que apresentam fatores de risco podem ter maiores benefícios com a realização do rastreamento, como por exemplo um diagnóstico precoce e maior adesão aos tratamentos, diminuindo a probabilidade de morte. No entanto, homens entre 50 e 69 anos devem prezar por uma decisão compartilhada com o médico, sendo papel dele apresentar todas as possíveis consequências dessa intervenção; sejam físicas — como a disfunção erétil e a incontinência urinária — quanto emocionais, como um possível sobrediagnóstico que gera uma carga emocional desnecessária. Ademais, é de extrema importância que o médico repasse todas as informações necessárias a respeito dos malefícios que esse rastreamento causa, objetivando esclarecer qualquer dúvida que se tenha a respeito do CA de próstata. Portanto, pela incerteza do benefício global do rastreamento de CA prostático, não é recomendado realizar o rastreamento universal populacional sistemático, devendo considerar uma lista de fatores individuais — como a idade de cada paciente e fatores de risco — a fim de que o paciente não saia prejudicado com a realização desse procedimento.

Histórico

  • Recebido: 22/10/2025
  • Publicado: 28/11/2025