https://doi.org/10.63923/sdes.2025.84
Resumo
A sedação paliativa é um procedimento médico em que se realiza a administração deliberada de fármacos sedativos com o objetivo de aliviar sintomas refratários em pacientes terminais. Na oncologia, costuma ser indicada para o controle do sofrimento físico e/ou psicológico intratável, em que os sintomas incluem, principalmente, dor intensa, dispneia ou agitação, quando medidas convencionais (incluindo o uso de opioides em altas doses) não são efetivas. Difere-se claramente da eutanásia, pois visa exclusivamente ao conforto e à dignidade, sem a intenção de abreviar a vida. Essa prática exige amplo conhecimento farmacológico, além da atuação de uma equipe multidisciplinar, devendo respeitar critérios clínicos e éticos bem definidos. Para investigar essa questão, realizou-se uma revisão de literatura na base de dados PubMed, contemplando artigos originais publicados entre 2020 e 2025. Foram utilizados os descritores “cancer”, “palliative” e “sedation”. Foram incluídos estudos pré-clínicos e clínicos em pacientes terminais e excluídos artigos pagos ou sem desfechos clínicos objetivos. Como resultado desta pesquisa, foi observado que a sedação paliativa é utilizada em uma frequência de 20% a 40% dos pacientes com câncer avançado. O sintoma refratário mais relatado foi o delírio, seguido por dispneia, dor e sofrimento existencial. O midazolam foi a droga mais empregada, seguida por levomepromazina e propofol em casos complexos. Estudos indicam que, apesar dos dilemas éticos (como proporcionalidade, interrupção da sedação profunda e risco de confusão com a eutanásia), a sedação paliativa não reduz a sobrevida, com estudos retrospectivos mostrando tempos semelhantes entre grupos sedados e não sedados. A decisão deve ser um processo iterativo e compartilhado entre equipe, familiares e, sempre que possível, o próprio paciente. Conclui-se que a sedação paliativa é uma intervenção essencial, eficaz e ética, cujo uso demanda padronização, formação profissional adequada e diálogo contínuo, assegurando conforto, dignidade e respeito à autonomia no fim da vida.
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