Ana Victoria Zambonetti Mendry Gustavo Andregtoni Daniela Cifuentes Munzenmayer Henrique Luiz Guedes Acanforado Roberto Machado Yasmin Andrade Martins
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Arritmias ventriculares potencialmente letais associadas a fármacos de uso rotineiro representam um desafio diagnóstico e terapêutico nos serviços de emergência, especialmente em pacientes idosos e com múltiplas comorbidades. A hidroxicloroquina (HCQ), amplamente utilizada no tratamento de doenças autoimunes, é geralmente considerada segura, mas há evidências crescentes de sua relação com cardiotoxicidade mesmo em doses terapêuticas. Este relato descreve um caso de síndrome do QT longo adquirido, com evolução para Torsades de Pointes, secundário ao uso concomitante de HCQ e clortalidona, em paciente idosa admitida em hospital da Grande Florianópolis. Paciente feminina, 79 anos, portadora de lúpus eritematoso sistêmico, coronariopatia e hipotireoidismo, em uso contínuo de HCQ e clortalidona, foi encontrada em domicílio com dispneia e rebaixamento do nível de consciência, sendo admitida na emergência em instabilidade clínica, com necessidade de intubação orotraqueal. O eletrocardiograma inicial mostrou bradicardia sinusal e bloqueio de ramo esquerdo. Após estabilização, foi extubada e transferida à enfermaria, mas evoluiu, no sexto dia, com novo rebaixamento súbito do nível de consciência e instabilidade hemodinâmica no pós-intubação. ECGs subsequentes revelaram intervalo QT prolongado e episódios de taquicardia ventricular não sustentada, culminando em Torsades de Pointes. O tratamento incluiu suspensão dos agentes QT-prolongadores, reposição intensiva de potássio e magnésio, uso de antiarrítmicos e implante de marcapasso transvenoso temporário, com evolução favorável. O caso reforça a necessidade de vigilância contínua quanto aos efeitos adversos de medicamentos de uso habitual, sobretudo em idosos com múltiplas comorbidades e risco aumentado para distúrbios hidroeletrolíticos. Destaca-se ainda a importância da revisão farmacológica sistemática na admissão hospitalar, bem como da monitorização eletrocardiográfica precoce em pacientes sob risco de prolongamento do intervalo QT. A intervenção rápida e protocolarizada foi determinante para o desfecho positivo, ilustrando a relevância da integração entre reconhecimento precoce, estratificação de risco e manejo clínico estruturado no tratamento de arritmias graves em serviços de emergência.