Rafael Battastini de Oliveira Camila Magnabosco
Informações do autor
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O trauma abdominal penetrante é uma das situações mais graves no contexto das emergências cirúrgicas, principalmente quando provocado por arma branca ou de fogo. Relata-se aqui o caso de um paciente de 29 anos, vítima de ferimento por arma branca em abdome, que chegou ao hospital instável, com sinais de choque hipovolêmico e FAST positivo. Foi submetido a laparotomia exploradora de urgência, sendo identificados hemoperitônio volumoso, lesões perfurantes em íleo terminal e hematoma periduodenal. O procedimento incluiu enterectomia com enteroanastomose, rafia hemostática e drenagem abdominal. No pós-operatório imediato, o paciente evoluiu com íleo adinâmico e elevação significativa de amilase e lipase, compatível com pancreatite pós-operatória. A conduta foi conservadora, com jejum, nutrição parenteral e analgesia, resultando em melhora clínica progressiva, restabelecimento da função intestinal e alta hospitalar. A literatura aponta o intestino delgado, o cólon e o fígado como os órgãos mais frequentemente lesados em traumas penetrantes, sendo o íleo paralítico e a pancreatite complicações possíveis após laparotomia. O caso reforça a importância da intervenção precoce, da monitorização rigorosa e da escolha criteriosa entre condutas cirúrgicas e conservadoras para garantir boa evolução.