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A formação médica, caracterizada por elevada carga acadêmica, competitividade e contato precoce com a prática clínica, exerce forte impacto sobre a saúde mental dos estudantes, favorecendo quadros de estresse, ansiedade e depressão. Nesse contexto, observa-se crescente preocupação com o uso indevido de psicofármacos, especialmente antidepressivos e ansiolíticos, muitas vezes sem prescrição adequada. Este trabalho constitui-se em uma revisão de literatura, baseada em artigos publicados nos últimos dez anos, com o objetivo de identificar fatores associados ao consumo inadequado, consequências para a saúde e estratégias de prevenção. Os estudos analisados demonstram que a automedicação é influenciada por múltiplos aspectos, incluindo fácil acesso aos fármacos no meio médico, estigma em buscar ajuda profissional, cultura de alta performance e ausência de suporte institucional estruturado. Os impactos negativos incluem risco de dependência, prejuízos cognitivos, efeitos adversos significativos e comprometimento do desempenho acadêmico e profissional futuro. A pandemia de COVID-19 intensificou a prevalência de sintomas ansiosos e depressivos, acentuando o uso de psicotrópicos entre estudantes da saúde. Apesar disso, experiências institucionais que investiram em programas de apoio psicológico e campanhas educativas mostraram resultados positivos na redução da prática. Conclui-se que o uso indevido de antidepressivos e ansiolíticos entre estudantes de Medicina representa um problema multifatorial que demanda ações integradas. Políticas institucionais de suporte psicológico, ambientes acadêmicos mais acolhedores e estratégias de conscientização sobre os riscos da automedicação são fundamentais para promover o uso racional de medicamentos e a preservação da saúde mental no ensino médico.