Lucca Fayad Paludo Guilherme de Lima Brito
Informações do autor
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As doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), como hipertensão arterial, diabetes mellitus, doenças cardiovasculares, câncer e doenças respiratórias crônicas, representam as principais causas de morbimortalidade no Brasil e no mundo, acarretando elevado impacto social e econômico. No contexto do Sistema Único de Saúde (SUS), o enfrentamento das DCNT é um desafio crescente, que exige integração entre prevenção, diagnóstico precoce, acompanhamento longitudinal e reabilitação. Este estudo teve como objetivo analisar as estratégias atuais adotadas pelo SUS no manejo das DCNT, bem como discutir lacunas e perspectivas de aprimoramento. Para isso, foi conduzida uma revisão narrativa em bases de dados nacionais e internacionais (PubMed, Scielo e LILACS), considerando artigos publicados nos últimos dez anos, documentos oficiais do Ministério da Saúde e diretrizes clínicas. Os resultados indicaram que o SUS tem avançado na ampliação da cobertura da Atenção Primária à Saúde, no fortalecimento do Programa de Saúde da Família e na implementação de protocolos clínicos para doenças específicas, como o Programa Hiperdia. Evidências mostram que o acompanhamento multiprofissional, a educação em saúde e a disponibilidade de medicamentos essenciais impactam positivamente na adesão terapêutica e no controle glicêmico e pressórico. No entanto, estudos também destacam desafios como sobrecarga dos serviços, fragmentação do cuidado, dificuldades de acesso em regiões remotas e baixa utilização de tecnologias digitais para monitoramento de pacientes crônicos. A discussão reforça que a sustentabilidade do SUS diante do aumento das DCNT depende da ampliação de políticas intersetoriais voltadas à promoção da saúde, combate ao tabagismo, incentivo à alimentação saudável e estímulo à atividade física, além da incorporação de soluções digitais e inteligência artificial no acompanhamento remoto. Conclui-se que, embora o SUS apresente avanços relevantes no enfrentamento das DCNT, ainda existem lacunas na equidade e na resolutividade da rede de atenção. Estratégias inovadoras, maior investimento em prevenção e fortalecimento do cuidado centrado no paciente são essenciais para reduzir a carga das DCNT e garantir um sistema de saúde mais eficiente e sustentável.