https://doi.org/10.63923/sdes.2025.83
Resumo
O ensino médico tradicional tem sido criticado por sua abordagem passiva, centrada no professor. Nesse contexto, surgem as metodologias ativas, como a simulação realística (SR), que promovem a participação ativa dos alunos e autonomia no processo de ensino-aprendizagem. O objetivo deste estudo foi avaliar satisfação e autoconfiança de estudantes de medicina frente à SR no módulo de Urgência e Emergência. Trata-se de um estudo descritivo, quantitativo e transversal, realizado em faculdade no interior de São Paulo com alunos do 7º período. Aplicou-se a Escala de Satisfação de Estudantes e Autoconfiança na Aprendizagem (ESEAA) ao final das atividades de SR e os dados foram analisados estatisticamente. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CAAE n° 80268224.2.0000.5374). Sessenta e três estudantes responderam ao ESEAA após a Simulação 1 e cinquenta e três após a Simulação 2. As médias de satisfação foram 4,18 (IC95% 3,93–4,43) e 4,13 (IC95% 3,86–4,40), e as de autoconfiança 4,04 (IC95% 3,79–4,29) e 4,06 (IC95% 3,80–4,31), respectivamente. Os itens com maiores escores em satisfação foram o item 1 e o item 3 nas duas simulações, enquanto o maior escore de autoconfiança foi o item 13, com o item 6 apresentando as menores médias. Os resultados mostram níveis elevados e estáveis de satisfação e autoconfiança ao longo do módulo, com leve predominância da satisfação, indicando aceitação positiva e homogênea da metodologia. Conclui-se que a SR foi bem aceita e manteve níveis elevados de satisfação e autoconfiança, sustentando sua continuidade no currículo e reforçando a importância de estratégias formativas voltadas ao fortalecimento progressivo da autoconfiança.
Referências
- Flato UAP, Guimarães HP. Educação baseada em simulação em medicina de urgência e emergência: a arte imita a vida. Rev Bras Clin Med. 2011;9(5):360-4.
- Souza CS, Iglesias AG, Pazin-Filho A. Estratégias inovadoras para métodos de ensino tradicionais – aspectos gerais. Medicina (Ribeirão Preto). 2014;47(3):284-92.
- Meireles MAC, Fernandes CCP, Silva LSE. Novas Diretrizes Curriculares Nacionais e a formação médica: expectativas dos discentes do primeiro ano do curso de medicina de uma instituição de ensino superior. Rev Bras Educ Med. 2019;43(2):67-78.
- Brasil. Conselho Nacional de Educação. Resolução CNE/CES n. 3, de 20 de junho de 2014. Institui Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Medicina. Diário Oficial da União. 2014.
- Presado MHC, Valente S, Santos MR, Almeida C, Almeida A, Varela A, et al. Aprender com a simulação de alta fidelidade. Cien Saude Colet. 2018;23(1):51-9.
- Brandão CS, Collares CF, Marin HF. A simulação realística como ferramenta educacional para estudantes de medicina. Sci Med (Porto Alegre). 2014;24(2):187-92.
- Vargas PD, Júnior JRT, Souza FMP, Ferreira DF, Lopes AM. A simulação realística em urgências e emergências clínicas: capacitando os profissionais de saúde da microrregião. Braz J Dev. 2022;8(8):59370-7.
- Butafava EPA, Oliveira RA, Quilici AP. Satisfação e autoconfiança de estudantes na simulação realística e a experiência de perpetuação do saber. Rev Bras Educ Med. 2022;46(4):e166.
- Moliterno NV, Silva LLS, Pereira LC, Carli P, Schimith MD. A percepção do estudante de medicina sobre a simulação realística em pediatria. Rev Bras Educ Med. 2024;48(1):e017.
- Marcomini EK, Costa J, Fernandes RC, Silva CB, Carvalho DP, Zanon F, et al. Importância da simulação realística para o ensino de urgência e emergência. Anais do Encontro Internacional de Produção Científica. Campinas: Galoá; 2017.
- Ohi AKR, Peroco TR, Silva M. Simulação realística e educação médica: uma ferramenta de ensino para os estudantes de medicina. Braz J Dev. 2022;8(9):63795-810.
- Prudente EM, Oliveira CF, Martins MF, Monteiro RA, Andrade FF, Lima AR. Estudo do impacto da simulação realística na formação do acadêmico de medicina. Braz J Dev. 2022;8(4):28098-117.
- Almeida RGS, Mazzo A, Martins JCA, Baptista RCN, Girão FB, Mendes IAC. Validation to Portuguese of the Scale of Student Satisfaction and Self-Confidence in Learning. Rev Latino-Am Enfermagem. 2015;23(6):1007-13.
- Whitman DS, Rooy DLV, Viswesvaran C. Satisfaction, citizenship behaviors, and performance in work units: a meta-analysis of collective construct relations. Pers Psychol. 2010;63(1):41-81.
- Bandura A. Social foundations of thought and action: a social cognitive theory. Englewood Cliffs, NJ: Prentice Hall; 1986.
- Almeida VCRA, Lima JC, Ferreira GE, Oliveira JLC, Miraveti JC, Ribeiro MRR. Satisfaction, self-confidence and self-efficacy in the use of clinical simulations: comparisons between health undergraduates and professionals. Rev Rene. 2023;24:e91858.
- Zinato SSA, Souza CC, Silva JVS, Salgado PO, Ribeiro CV, Sá FBB. “Satisfação” e “autoconfiança” em estudantes de Enfermagem e Medicina que vivenciaram atividade simulada: estudo transversal. Health Residencies Journal. 2024;5(23):9-17.
- Costa RRO, Medeiros SM, Coutinho VRD, Mazzo A, Araújo MS. Satisfação e autoconfiança na aprendizagem de estudantes de enfermagem: ensaio clínico randomizado. Esc Anna Nery. 2020;24(1):e20190094.
- Ying LS, Yiwen K, Rabiah D. Easing student transition to graduate nurse: a simulated professional learning environment (SIMPLE) for final year student nurses. Nurs Educ Today. 2014;34(3):349-55.
- Alfes CM. Evaluating the use of simulation with beginning nursing students. J Nurs Educ. 2011;50(2):89–93.