Ana Victoria Zambonetti Mendry Gustavo Andregtoni Daniela Cifuentes Munzenmayer Henrique Luiz Guedes Acanforado Roberto Machado Yasmin Andrade Martins
Informações do autor
Informações do autor
Informações do autor
Informações do autor
Informações do autor
Informações do autor
A meningite por Elizabethkingia meningoseptica é uma infecção rara, associada a elevada morbimortalidade, especialmente em pacientes imunocomprometidos e idosos. No Brasil, há poucos relatos clínicos, dificultando a padronização de protocolos diagnósticos e terapêuticos. Apresentamos o caso de uma mulher de 82 anos, hipertensa, em uso de varfarina por trombose de veia porta, admitida em hospital da Grande Florianópolis após rebaixamento do nível de consciência e vômitos. No atendimento pré-hospitalar, encontrava-se febril, afásica e com Glasgow 10. Na admissão hospitalar, iniciou antibioticoterapia empírica com ceftriaxona para manejo de choque séptico, mas evoluiu rapidamente para Glasgow 6, necessitando intubação orotraqueal. Exames laboratoriais mostraram leucocitose, plaquetopenia, TAP alargado e PCR elevada. A tomografia de crânio evidenciou redução córtico-subcortical difusa e sinais de microangiopatia. A análise do líquor confirmou meningite bacteriana, e o exame microbiológico subsequente identificou Elizabethkingia meningoseptica, microrganismo gram-negativo aeróbio, pouco frequente, geralmente associado a ambientes hospitalares e reconhecido por sua resistência intrínseca a múltiplas classes de antimicrobianos. A evolução clínica foi marcada por deterioração neurológica rápida, exigindo manejo intensivo e transferência para unidade de terapia intensiva. A resposta limitada à antibioticoterapia inicial, aliada à ausência de protocolos consolidados para este patógeno, evidenciou os desafios enfrentados no tratamento. O caso ressalta que, embora descrita principalmente em neonatos e imunossuprimidos, a ocorrência em adultos idosos deve ser considerada em quadros refratários de meningite bacteriana. Este relato contribui para ampliar a discussão sobre o reconhecimento precoce e a estratificação de risco em pacientes críticos, além de alertar para a necessidade de vigilância microbiológica, precauções de transmissão hospitalar e estratégias terapêuticas individualizadas. Reforça, ainda, o papel de uma abordagem multidisciplinar para reduzir complicações e aumentar as chances de desfecho favorável diante de um agente raro, altamente resistente e de impacto significativo para a prática emergencial e infectológica.