Otávio da Costa Carvalho Felipe Maidana Silveira Pedro José Silva dos Santos
Informações do autor
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O manejo da via aérea (VA) difícil ou falha no departamento de emergência exige domínio de técnicas alternativas, sendo a cricotireoidostomia de emergência o procedimento definitivo em cenários de “não intubo, não ventilo”. Estudos recentes demonstram que a cricotireoidostomia apresenta menores complicações posteriores e menor sangramento em comparação à traqueostomia na emergência, além de proporcionar menor tempo até a saturação máxima. Entre as complicações relatadas, destacam-se pneumotórax e infecção local. Revisão de literatura com pesquisa em base de dados PubMed. Foram selecionados 32 estudos após exclusão de estudos duplicados e triagem de título e resumos. A identificação da membrana cricotireoidea pode ser dificultada em pacientes obesos, sendo o ultrassom um recurso auxiliar fora do contexto emergencial. O perfil dos pacientes que necessitam cricotireoidostomia geralmente envolve trauma, lesões penetrantes, angioedema e obstrução aguda da VA, frequentemente com comorbidades e alta mortalidade. O procedimento deve ser considerado rapidamente em casos de angioedema ou rigidez muscular, mesmo após uso de bloqueadores neuromusculares. A técnica cirúrgica aberta é frequentemente mais rápida, confortável e preferida por profissionais, especialmente quando há pouca familiaridade com kits específicos. Entre os dispositivos, o catéter Melker mostrou-se mais rápido que o bougie-tubo-aberto quando há treinamento adequado, enquanto o Quicktrack II pode apresentar limitações de ventilação. O uso de modelos de traqueia animal e simulação em realidade virtual tem se mostrado eficaz para treinamento, aumentando a chance de sucesso e reduzindo o tempo de execução, embora não diminua o tempo total do procedimento. A taxa de sucesso da cricotireoidostomia pode chegar a 94% quando realizada por profissionais aptos, sendo a cânula associada a melhores resultados. Destaca-se que pacientes submetidos ao procedimento frequentemente apresentam condição clínica grave e resistem pouco após o evento. Assim, a cricotireoidostomia de emergência representa uma competência crítica, exigindo preparo técnico contínuo, agilidade e trabalho em equipe para garantir a sobrevida em cenários extremos de falha da via aérea.