Anne Gabrielle Silva Meneses Gabriella Martins Pimentel Silva Silva Maria Eduarda Silva Bastos Diogo Miliolli
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O câncer em crianças, adolescentes e jovens adultos constitui importante causa de morbidade e impacto psicossocial, marcado por dor, ansiedade, estresse e comprometimento da qualidade de vida. Nesse contexto, cresce o interesse por estratégias complementares que auxiliem no manejo desses efeitos, entre as quais se destaca a musicoterapia. Para o presente trabalho, realizou-se uma busca na base de dados PubMed, considerando publicações dos últimos 5 anos, com acesso gratuito e que não fossem revisões de literatura. Dois estudos atenderam aos critérios e foram analisados. O primeiro, um ensaio piloto longitudinal de braço único, incluiu 37 adolescentes e jovens adultos com câncer submetidos a quatro sessões de musicoterapia baseada em mindfulness, presenciais ou virtuais, durante a quimioterapia. A intervenção mostrou-se viável, com 73% de adesão mínima, alta aceitabilidade e redução significativa do estresse percebido (mediana −4,0; p=0,013), embora a melhora da ansiedade não tenha alcançado significância estatística. O segundo estudo, de caráter sistemático, reuniu 11 ensaios clínicos envolvendo 429 crianças em tratamento oncológico, demonstrando que a música, aplicada de forma ativa ou passiva, reduziu de maneira consistente dor (SMD −1,51), ansiedade (SMD −1,12) e melhorou indicadores de qualidade de vida (SMD −0,96), além de favorecer sono, engajamento e bem-estar emocional em diferentes contextos, como quimioterapia, radioterapia, punção lombar e transplante de células-tronco. Em discussão, observa-se que, embora os estudos apresentem limitações como tamanho amostral reduzido, heterogeneidade metodológica e dificuldades de recrutamento, os resultados convergem para a relevância da musicoterapia como intervenção adjuvante no cuidado oncológico. Conclui-se que a música representa recurso promissor para a humanização do tratamento, contribuindo para o enfrentamento psicológico de pacientes jovens, e destaca-se a necessidade de estudos multicêntricos randomizados para consolidar sua aplicação na prática clínica.