Lucca Fayad Paludo Maria Eduarda Andrade Nogueira
Informações do autor
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O diabetes mellitus tipo 2 constitui um dos principais problemas de saúde pública mundial, associado a elevada morbimortalidade cardiovascular e custos crescentes aos sistemas de saúde. Apesar da ampla disponibilidade de hipoglicemiantes orais, o controle glicêmico insuficiente ainda é frequente, o que impulsionou a busca por terapias inovadoras. Este estudo teve como objetivo revisar os avanços recentes em terapias endócrinas, com ênfase nos agonistas do receptor do peptídeo semelhante ao glucagon tipo 1 (GLP-1) e novas combinações farmacológicas. Realizou-se uma revisão narrativa em bases como PubMed, Scopus e LILACS, incluindo ensaios clínicos randomizados e revisões sistemáticas publicadas entre 2015 e 2025. Os resultados mostraram que os agonistas de GLP-1, como semaglutida e dulaglutida, promovem redução consistente da hemoglobina glicada (HbA1c) entre 1,0 e 1,5%, além de favorecerem perda ponderal média de até 6 kg em um ano. Ensaios multicêntricos, como o estudo SUSTAIN-6, evidenciaram redução significativa de eventos cardiovasculares maiores em pacientes de alto risco, reforçando o papel cardioprotetor dessa classe. Novas terapias combinadas, como agonistas duplos de GLP-1/GIP (tirzepatida), demonstraram resultados superiores em controle glicêmico e perda de peso quando comparados aos tratamentos convencionais. A discussão aponta que essas terapias representam um avanço paradigmático ao aliarem eficácia metabólica e benefício cardiovascular, ultrapassando a abordagem restrita ao controle glicêmico. Entretanto, desafios permanecem, incluindo custos elevados, necessidade de administração injetável na maioria dos casos e desigualdade de acesso em países de baixa e média renda. Além disso, efeitos adversos gastrointestinais, como náuseas e vômitos, podem comprometer a adesão terapêutica. Conclui-se que os agonistas de GLP-1 e as novas terapias endócrinas representam marcos no manejo do diabetes tipo 2, com potencial de reduzir complicações micro e macrovasculares e melhorar a qualidade de vida dos pacientes. Contudo, sua incorporação ampla no sistema de saúde dependerá de políticas públicas que garantam acesso equitativo e sustentabilidade financeira, além de pesquisas contínuas sobre segurança a longo prazo.