Ensino e extensão

Análise epidemiológica das internações por Tetralogia de Fallot e variantes na população pediátrica no Brasil nos últimos 10 anos.

Isabella Stein

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Isabella Stein

ORCID não informado.
https://doi.org/10.63923/sdes.2025.90

Resumo

A Tetralogia de Fallot (TOF) é a cardiopatia congênita cianótica mais prevalente, caracterizada por defeito do septo ventricular, estenose pulmonar, hipertrofia ventricular direita e aorta deslocada, podendo apresentar variantes anatômicas que influenciam na gravidade e no prognóstico. O diagnóstico precoce e a correção cirúrgica são fundamentais para reduzir a mortalidade e complicações a longo prazo. Avaliar a epidemiologia das internações por TOF no Brasil permite identificar padrões de acesso, desigualdades regionais e subsidiar políticas de saúde voltadas à população pediátrica. Estudo epidemiológico descritivo baseado em dados obtidos do Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/DATASUS), referentes a internações, taxa de mortalidade, valor total das internações e distribuição regional dos procedimentos para TOF na população pediátrica do Brasil, abrangendo o período de julho de 2025 a julho de 2015. Foram registradas 2.510 internações pediátricas por Tetralogia de Fallot e variantes no país. A maior concentração ocorreu no Sudeste (1.036), seguida por Nordeste (597) e Sul (483), enquanto Norte (199) e Centro-Oeste (195) apresentaram menor frequência. A mortalidade hospitalar global foi de 9,32%, mais elevada no Centro-Oeste (22,05%) e menor no Sudeste (5,89%). O custo total das internações foi de R$ 72.253.854,63, distribuído regionalmente: Sudeste R$ 29.147.379,95; Nordeste R$ 17.210.509,29; Sul R$ 14.363.123,19; Norte R$ 5.873.949,02; Centro-Oeste R$ 5.658.893,18. Observou-se que, apesar da concentração de procedimentos nas regiões mais desenvolvidas, o Centro-Oeste e Norte apresentaram maior mortalidade, possivelmente devido a menor acesso a centros especializados e infraestrutura limitada. O investimento mais expressivo nas regiões mais desenvolvidas reflete maior volume e complexidade tecnológica, evidenciando a necessidade de ampliar a rede de referência e garantir diagnóstico precoce. O estudo evidencia desigualdade regional no tratamento da Tetralogia de Fallot na população pediátrica brasileira, refletindo a concentração de procedimentos em centros especializados. Estratégias de diagnóstico precoce, capacitação de equipes e redistribuição de recursos são essenciais para reduzir disparidades e melhorar os resultados clínicos, contribuindo para uma assistência mais equitativa e eficiente em todo o território nacional.

Histórico

  • Recebido: 22/10/2025
  • Publicado: 28/11/2025