Pedro Augusto Silva Resende Anne Carolinne Freitas Silva Rhuan Fernandes Carneiro Guilherme Quireza Silva
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A musicoterapia é uma modalidade terapêutica reconhecida, capaz de complementar tratamentos pediátricos por meio da estimulação da plasticidade neural e de modificações na substância cinzenta e branca. O neurodesenvolvimento infantil representa um período crítico, no qual intervenções precoces podem reduzir riscos de distúrbios, destacando a importância de estratégias dirigidas. Analisar evidências atuais sobre os efeitos da intervenção musical no neurodesenvolvimento de crianças em diferentes idades e condições de saúde. Foi realizada revisão sistemática com metanálise nas bases PubMed, Embase, Web of Science e Cochrane Library até dezembro de 2023, incluindo apenas ensaios clínicos randomizados com participantes menores de 18 anos. Foram considerados estudos em que o grupo de intervenção recebia estímulos musicais estruturados (ritmo, melodia e harmonia) e avaliados desfechos relacionados ao neurodesenvolvimento. Foram excluídas revisões, protocolos, relatos de caso e trabalhos sem dados suficientes para análise. Sete estudos publicados entre 2014 e 2023 preencheram os critérios, totalizando 337 participantes, entre lactentes e pré-escolares, de diferentes países da Europa, Ásia e Austrália. As intervenções incluíram música gravada, forma rítmica, musicoterapia criativa e aulas de música. Os desfechos foram avaliados por escalas específicas: Bayley-III, Gesell, Stanford-Binet e Child Self-Regulation and Behavior Questionnaire (CSBQ). A análise utilizou diferença média padronizada para comparação entre grupos. Os resultados indicaram ausência de melhorias significativas nos escores cognitivos pela Bayley-III. No entanto, observou-se impacto positivo em linguagem, habilidades motoras e quociente de inteligência em outras escalas. A escala Gesell mostrou avanços na linguagem e no desempenho motor, enquanto um estudo identificou aumento médio de cinco pontos no QI do grupo submetido à intervenção musical. A música apresenta potencial como recurso no desenvolvimento infantil, beneficiando linguagem, motricidade e inteligência. Contudo, a heterogeneidade metodológica, o pequeno número de estudos e a variabilidade cultural limitam a comparabilidade dos achados. Recomenda-se que futuras pesquisas adotem protocolos padronizados e amostras mais robustas para confirmar os benefícios observados.