Ensino e extensão

Perfil Epidemiológico e Carga de Morbimortalidade por Acidentes de Trânsito no Brasil: Análise de Dados Recentes do DATASUS

Caio Souza Brandão Laura Moura de Oliveira Maria Clara Alves Gonzaga Mattheus Ribeiro Natividade

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Caio Souza Brandão

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Laura Moura de Oliveira

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Maria Clara Alves Gonzaga

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Mattheus Ribeiro Natividade

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https://doi.org/10.63923/sdes.2025.66

Resumo

No Brasil, os acidentes de trânsito configuram uma das principais causas de morbimortalidade por causas externas, com impacto significativo em anos potenciais de vida perdidos. É necessário compreender as estatísticas que envolvem esse agravo, a fim de intervir de maneira eficiente em políticas públicas capazes de minimizar as incapacidades decorrentes dele. Tendo isso em vista, realizou-se um estudo observacional descritivo do tipo ecológico longitudinal retrospectivo, de análise de séries temporais, de dados públicos coletados no Sistema Informações Hospitalares-DATASUS. No período de 2013 a 2022 foram registrados 360.244 óbitos (média de 36 mil/ano) e 1.854.742 internações (média de 185 mil/ano) por acidentes de transporte terrestre no Brasil, com custo médio anual superior a R$270 milhões. O perfil de maior risco foi jovem e masculino: homens responderam por 82,5% dos óbitos e 78,6% das internações, enquanto a faixa etária de 20 a 29 anos concentrou o maior número de vítimas em ambos os indicadores. Entre os tipos de vítimas, destacam-se os motociclistas, responsáveis por 33% das mortes e 58% das internações. A taxa de mortalidade, que alcançou valores acima de 21/100 mil habitantes em 2013-2014, apresentou queda até 2019 e relativa estabilização nos anos seguintes, encerrando em 16,07/100 mil em 2022. O alto número de óbitos e internações por ATT confirma uma epidemia com alto custo. O perfil de maior risco é o motociclista jovem e masculino, o que denota maior exposição ao risco desse gênero e faixa etária, além de menor segurança nesse tipo de veículo. A estabilização da taxa de mortalidade após 2019 demonstra falha das políticas públicas atuais em contornar essa problemática. O cenário reforça a necessidade de intensificação de políticas públicas direcionadas à prevenção, fiscalização e promoção da saúde no trânsito. Medidas educativas, como incentivo à direção defensiva e ao uso correto de equipamentos de proteção, assim como melhorias na infraestrutura urbana, contribuem para atenuar a elevada carga de morbimortalidade e o impacto econômico decorrente dos acidentes automobilísticos no país.

Histórico

  • Recebido: 20/10/2025
  • Publicado: 28/11/2025