Lucca Fayad Paludo Guilherme de Lima Brito
Informações do autor
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A medicina regenerativa desponta como uma das áreas mais promissoras da ciência contemporânea, ao propor estratégias terapêuticas baseadas na restauração de tecidos danificados por meio de células-tronco e bioengenharia. Este estudo teve como objetivo revisar os avanços recentes da terapia celular em cardiologia, ortopedia e neurologia, avaliando seu impacto clínico e desafios translacionais. Foi conduzida uma revisão narrativa em bases de dados PubMed, Scopus e Web of Science, priorizando artigos publicados entre 2015 e 2025, incluindo ensaios clínicos, revisões sistemáticas e documentos de agências regulatórias. Os resultados evidenciaram que, em cardiologia, estudos com células-tronco mesenquimais demonstraram melhora funcional em pacientes pós-infarto do miocárdio, com aumento da fração de ejeção em até 8% após 12 meses. Em ortopedia, a aplicação de células-tronco derivadas da medula óssea mostrou potencial na regeneração da cartilagem em osteoartrite, reduzindo dor e melhorando a mobilidade articular. Na neurologia, ensaios clínicos iniciais em pacientes com lesão medular e doença de Parkinson revelaram ganhos funcionais discretos, mas encorajadores, ainda que limitados por heterogeneidade de protocolos e baixa reprodutibilidade. A discussão destaca que, embora os resultados iniciais sejam promissores, a terapia com células-tronco enfrenta barreiras críticas, como riscos de tumorigenicidade, dificuldades no controle da diferenciação celular e altos custos de produção. Além disso, a ausência de protocolos padronizados compromete a comparabilidade dos estudos. Do ponto de vista ético e regulatório, persiste a necessidade de diretrizes claras que conciliem inovação com segurança dos pacientes. Conclui-se que a medicina regenerativa baseada em células-tronco representa um marco na busca por terapias inovadoras, com potencial de transformar o tratamento de doenças até então irreversíveis. Entretanto, sua incorporação clínica em larga escala dependerá de pesquisas multicêntricas, avanços tecnológicos e políticas públicas que assegurem acesso equitativo.